quarta-feira, junho 18, 2008

As Flores do Sul da Bahia

Sul da Bahia
As Flores Tropicais nativas do Sul da Bahia, estão entre as mais belas do mundo, e esta é uma atividade que precisa ser incentivada como alternativa econômica sustentável. As três orquídeas que vemos nas fotos são nativas do sul da Bahia. A Cattleya warner (em baixo à esquerda), é uma espécie exclusiva das mata atlântica sul baiana, e é uma das maiores estrelas das flores tropicais; e a orquídea "pingo de ouro" (à direita) povoam as matas cacaueiras. A extração ilegal ainda ameaça essas espécies, que deveriam ser vitrine para os visitantes e os negócios sustentáveis do sul da Bahia.
Floricultura


A presença dos produtores de Holambra, em Ilhéus, no evento Ilhéus em Flor, além de uma grande satisfação, que atraiu centenas de clientes, é uma um momento de reflexão, sobre a floricultura do sul da Bahia, e uma oportunidade de chamar a atenção para o apoio que é necessário, para que a floricultura tropical de Ilhéus venha a ser incrementada, e se torne economicamente viável, gerando renda e qualidade de vida.
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As fotos seguir, que são, principalmente de variedades de helicônias, são registros da produção da Olho Dágua Flores Tropicais, da Fazenda São José, no distrito ilheense de Maria Jape, e são expostas semanalmente na praça do Pontal.
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Ao invés de explorarmos sustentavelmente o comércio de flores tropicais, ainda enfrentamos o extrativismo predatório de orquídeas e bromélias raras, pelo alto nível de desemprego na área rural e a falta de alternativas de sobrevivência; e muitas pessoas ditas esclarecidas, ainda acobertam esse crime, seduzidos pelos baixos preços das flores extraídas ilegalmente da mata atlântica.


Segundo pesquisas do agronômo Angelo Tomás, da Ceplac, o Brasil tem uma das maiores variedades de espécies nativas de orquídeas no mundo, cerca de 2.500 espécies, e o estado da Bahia é considerado pelos especialistas, um dos mais ricos em número de espécies, mesmo sem ter havido um estudo da flora orquidológica, sendo as plantações de cacau do Sul da Bahia, consideradas um dos maiores orquidários naturais do mundo, devido à densidade e diversidade de espécies que podem ser encontradas em pleno desenvolvimento nos cacaueiros.
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Precisamos de coordenação e investimetos das intituições regionais, como prefeituras, Ceplac, AMURC, EBDA, Biofábrica, associações e cooperativas, no grande esforço de capacitação, produção e distribuição de mudas e sementes, realização de exposições locais permanentes e fomento a participação em feiras nacionais e internacionais para conquistar mercado.
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Mas o primeiro de todos os mercados está aqui mesmo, em Ilhéus, uma cidade que recebe um número crescente de visitantes, e que deveria ter sua Orla Central como uma vitrine para vender nossos produtos, nossa cultura e nossos valores regionais. Fomos informados por produtores regionais, que a exposição Flora Atlântica, programada para acontecer em Ilhéus em outubro, foi transferida para porto Seguro.
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Não estamos falando nas Flores Tropicais de Ilhéus como concorrentes das Flores de Holambra, muito pelo contrário, acreditamos nesse intercâmbio, e vários produtores regionais já foram se capacitar em Holambra, que tem muito a oferecer em termos de tecnologia. Por isso, desejamos, que as flores de Holambra estejam sempre em Ilhéus, mas também, que não percamos tempo em conservar e explorar as flores tropicais do sul da Bahia.

segunda-feira, junho 16, 2008

Flores de Holambra




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É muito bom receber em Ilhéus, as flores de Holambra. Sejam bem vindos floricultores! Conhecida como Cidade das Flores, Holambra é uma pequena Estância Turística, com "status" de município, localizada próxima a cidade de São Paulo. Formada por imigrantes Holandeses que imigraram pro Brasil no final da segunda guerra mundial, a comunidade de Holambra, encontrou nas flores, seu caminho de desenvolvimento, depois de várias tentativas fracassadas na pecuária, agricultura e produção de ovos.
Adotando um sistema de cooperativismo e produção familiar; e comercializando a produção diretamente dos produtores, Holambra e a cidade vizinha de Paranapanema conquistaram o mercado de sementes, flores, frutas, plantas, mudas, arbustos e árvores. Assim, tornaram-se referência nacional da atividade, com rigoroso controle, padronização e qualidade dos produtos, aliada a uma remuneração compatível ao produtor.
As grandes cooperativas da região tem investido em larga escala no incremento da atividade. A Veiling Holambra, por exemplo, que se promove como o maior centro de comercialização de flores do Brasil e abrange todo território nacional, já explora 42.000 hectares e investiu cerca de 35 milhões no últimos anos.

É uma cadeia produtiva dinâmica e bem organizada, que tem muito a nos ensinar. Na cadeia produtiva de Holambra e região, existe uma infraestrutura de referencia em serviços diversos, como armazenagem e beneficiamento de produtos, comercialização da produção "in natura" ou beneficiada dos cooperados, compra de insumos destinados à produção e revenda à cooperados e terceiros, compra e venda de produção "in natura" ou beneficiada de cooperados e terceiros e intermediação e administração de financiamentos para produção.
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Desenvolveram ainda, Unidades de Beneficiamento de Sementes visando o processamento da semente própria de seus associados, bem como da recepção, beneficiamento e armazenagem de produtos diferenciados como milho e feijão.
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Que Holambra sirva de Inspiração para o Sul da Bahia
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Holambra nos serve de inspiração, de exemplo de união, cooperativismo, e, sobretudo, de profissionalismo. Pois foi assim, que tornaram-se mestres do cultivo ornamental, produzido familarmente, gerando milhares de empregos.

A principal mensagem que trazem é nos mostrar que este pode ser um negócio sustentável e promissor, quando existe união, investimento, capacitação e profissionalismo. Como sabemos, temos um excelente potencial para a exploração das chamadas flores tropicais, seja pela existência de uma grande variedade de espécies nativas, pelo clima ideal e pelo crescimento do mercado para essa variedade, especialmente, bromélias, orquídeas e helicônias.

Algumas das orquídeas que Holambra trás a Ilhéus, são nativas daqui, mas estamos ainda no início dessa caminhada. Por aqui, já existem algumas iniciativas de produtores que acreditam, de forma pioneira, nesta atividade. Esses produtores formaram a Associação dos Produtores de Flores e plantas Ornamentais do Sul da Bahia, e já realizaram duas grandes exposições chamadas "Flora Atlântica", e comemoram cerca de 100 hectares de cultivos e 150 empregos diretos.
Mas temos um longo caminho a percorrer e precisamos contar com maiores investimentos dos órgãos técnicos, principalmente a CEPLAC, onde já existem estudos de viabilidade econômica para a produção de flores tropicais em roças de cacau, desenvolvido pelo agronômo Angelo Tomas, e, segundo o mesmo, trata-se de uma alternativa concreta de diversificação econômica sustentável para essa região.
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Holambra tem a nos ensinar também como agregar esta vocação ao turismo. Hoje, a Cidade das Flores é um centro de turismo rural, associado a diversos equipamentos e atrativos, como borboletário, moinho, praças de animais, etc. E tornou-se também, referência para o turismo científico e de negócios, realacionados a esta atividade, sediando diversas feiras, exposições e eventos de capacitação, como congressos, seminários e encontros de nível nacional e internacional.

terça-feira, junho 10, 2008

Ação Ilhéus: Improviso, Oxente !

Cultura e Ecologia precisam "Ir - Mão Dadas"; são intrinsecas e não podem caminhar separadas jamais. São como as margens da estrada da educação ambiental, onde o homem e o meio ambiente estão em harmonia, no centro da paisagem. Por isso, o nascimento de alguns movimentos Ilhéus como o "Improviso, Oxente" e "Ação Ilhéus", que visam democratizar a informação e transformá-la em objeto de ação popular e participativa, merece nossa atenção e respeito.

..........................O projeto denominado "Improviso, Oxente", é uma iniciativa nesse sentido. Surgiu com uma série de reuniões na Casa dos Artistas, abertas à comunidade, para discutir os problemas de Ilhéus, contando com a participação de um palestrante para cada proposta temática. Mas o que tem de "novo" é a inserção de outras linguagens, da arte, do teatro, do vídeo, da fotografia, etc., no processo de reflexão.






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A Comunidade tem sede Cultura e Informação !!!

Tendo como primeiro tema, o projeto "Porto Sul", o movimento resolveu então, extrapolar a Casa dos Artistas para ganhar as ruas e percorrer comunidades. Assim surgiu, sua versão intinerante, reunindo professores, técnicos, artistas e o voluntariado do movimento "Ação Ilhéus", sob a coordenação dos professores Ramayana Vargens, Antonio Adolfo e do ator Romualdo Lisboa, para a promoção de eventos culturais educativos públicos.

A Reação da Comunidade é a Participação !

Apesar de uma atuação significativa de ONG´s ambientalistas no sul da Bahia, que desenvolvem projetos de preservação da Mata Atlântica, são raras as propostas de educação ambiental que chegam ao povo, com criatividade. Os exemplos são escassos, como a da ONG Grama, pioneira na construção de projetos de educação ambiental para as comunidades e as escolas da região..



O evento em Serra Grande nos ajuda a acordar para a grande carência de eventos como estes, agregados às escolas e para além de seus muros, para fazer chegar à população, os principais temas da qualidade de vida e da cidadania. A reflexão sobre o desenvolvimento e o meio ambiente, por exemplo, precisa estar na altura do povo, e não pode se restringir a um pequeno grupo da sociedade. E é em eventos próximos da comunidade, que tiramos o debate dos gabinetes, para trabalhar com a população, com o sentimento das pessoas, e, assim, percebemos melhor as nossas necessidades.

O artista popular precisa ser inserido nos Projetos Sócio-Ambientais da região. Seu papel é fundamental na construção de Cidadania, mas seu trabalho é pouco valorizado.











Não existe sustentabilidade ambiental nos projetos ambientais do sul da Bahia se eles continuarem a não priorizar as pessoas. O que mais nos chamou a atenção no "Improviso Oxente, Intinerante", em Serra Grande, é o povo que deve ser o principal alvo do desenvolvimento sustentável, pois a paisagem inclui as comunidades, as pessoas e a cultura.

O voluntariado é uma marca nos projetos de educação popular para a construção da cidadania. No evento comunitário de Serra Grande, vimos um exemplo disto, onde cada um, em sua área de atuação, deu sua parcela de contribuição.


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Na paisagem ecológica que queremos preservar, está a mata atlântica, manguezais, restingas e as mais belas praias; também faz parte dela, o pescador, extrativista, marisqueiro, pequeno agricultor, etc., com sede de informação e carentes de respostas, diante das grandes dificuldades que enfrentam no seu dia a dia.

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Assim, na Área de Proteção Ambiental Lagoa Encantada e Serra Grande-Itacaré, existem muitas comunidades que buscam respostas, como Campinhos, Aritaguá, Sambaituba, Castelo Novo, Ponta da Tulha, Vila Olímpio, Areias, Juerana, Ponta do Ramo,etc., que precisam, efetivamente, serem beneficiadas pelos projetos ambientais e de desenvolvimento.
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O teatro imita o povo, o povo quer se ver. A arte vem do povo, o povo quer mostrar sua cultura! O Meio Ambiente precisa se Expressar !
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A Ecologia que precisamos, com urgência, não é uma ecologia elitista, de uns poucos, de maior poder aquisitivo para comprar paraísos ambientais, e sim, de uma ecologia social, uma ecologia humana, do bem comum e sem distinções. A sustentabilidade ambiental, depende, em grande parte, da priorização do homem tradicional nos projetos de conservação, reconhecimento dos seus direitos e de suas necessidades básicas de qualidade de vida.
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Por isso, damos as boas vindas ao "Improviso, Oxente Initinerante", e desejamos que esta iniciativa perdure e possa ser ampliada com o apoio do poder público e das empresas. Esperamos que eventos como este, sejam repetidos, imitados e multiplicados, e que venham a fazer parte do cotidiano de nossas comunidades.

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Ação Ilhéus !

O Ação Ilhéus é um movimento que surge com a marca da participação popular, liderados pelos professores e ambientalistas, Maria do Socorro Mendonça, Cristina Nora e Paulo Lago, e tem seu foco principal no combate às agressões a região de entorno da Estrada Ilhéus-Itacaré, e na contestação a construção de um Complexo Portuário nesse local.

O Ação Ilhéus não mede esforços para a mobilização popular contra a construção do Porto Sul da Praia do Norte de Ilhéus.






Pela mobilização da comunidade ilheense contra o Complexo Porto Sul, o "Ação Ilhéus" vai a luta, cooptando aliados, colhendo assinaturas nas ruas, realizando protestos, passeatas e utilizando a internet para serem ouvidos.

O movimento divulga e alerta sobre os impactos ambientais da infraestrutura aéreo-porto-ferroviária, caso seja construída na Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada; também reafirma o turismo como vocação da área, e protesta contra prejuízos milionários que deverão ocorrer a muitos empreendedores locais, e de várias parte do mundo, que foram atraídos pelas condições oferecidas pelo próprio governo à partir do Programa de Desenvolvimento Turístico, o Prodetur.

O "Ação llhéus" é um movimento legítimo, apesar de muitos críticos insurgirem-se contra ele, por não suportarem sua posição enérgica contra o projeto. Mas o aumento da mobilização popular, dos movimentos organizados, e dos protestos contra programas industriais, energéticos ou agrícolas, é uma tendência nacional. É a Democracia se firmando, cobrando e exigindo o debate; é a voz e os ouvidos das diferenças.

Palestras, Passeatas, Mobilizações Públicas e Eventos Culturais marcam a atuação do movimento Ação Ilhéus.
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O grito do "Ação Ilhéus", por uma série de motivos, se fêz necessário, mas sabemos que só o diálogo trará a paz esperada, e isto é assim, seja em nossas casas, ou numa perspectiva mundial. Por isso, esperamos que o movimento ganhe repercussão, e possa contribuir com a reflexão do nosso modelo de desenvolvimento, através de suas mobilizações voluntárias e manifestações pacíficas.

No mundo atual, o Diálogo é o Tema Central da Sustentabilidade. O díalogo pressupõe a comunicação, e é um caminho para a paz, sem a qual, não teremos como construir soluções para os nossos problemas.
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Esperamos que os protestos do "Ação Ilhéus" nos façam pensar, refletir, aprofundar o debate, e nos ajude a viabilizar o diálogo construtivo, da contra-proposta, da argumentação e da competência técnica para buscarmos soluções. Como temos afirmado, quanto mais aprofundado esse diálogo entre posições contrárias, melhor será o resultado final de qualquer projeto ou ação, e o beneficio que trará a população, e quanto maiores as resistências entre as partes que divergem, e a predisposição contrária a participação, menos qualidade teremos em nossos projetos de desenvolvimento.